Versões contraditórias dificultam apuração de sete mortes no Complexo do Salgueiro

Dúvidas e versões contraditórias dificultam a investigação que apura a morte de sete pessoas no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. O caso ocorreu no último sábado, durante uma operação da Coordenaria de Recursos Especiais (Core), com apoio das Forças Armadas. Até esta segunda-feira, por exemplo, o Exército e a Polícia Civil não haviam esclarecido quais eram os alvos da ação, e nem a denúncia que teria motivado a incursão na comunidade.

A Polícia Civil e o Comando Militar do Leste ( CML) divulgaram notas sobre o caso, onde afirmam que houve resistência armada por parte de bandidos. As concordâncias param por aí. Em depoimentos prestados na Delegacia de Homicídios de Niterói e São Gonçalo (DHNSG), três agentes da Core afirmaram que, durante a ação no Salgueiro, apenas os militares fizeram os disparos. Já a nota do CML não afirma que os disparos foram feitos por homens do Exército.

No mês passado, um decreto do presidente Michel Temer publicou lei que transfere para a Justiça Militar o julgamentos de crimes contra a vida cometidos por homens das Forças Armadas, em missões de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

Assim, a Polícia Civil não tem atribuição para para investigar se os militares foram ou não autores dos disparos que mataram sete pessoas. Por conta disto, nenhum integrante do Exército foi ouvido pela DHSG.

O que se sabe, até agora, é que 15 agentes da Core participaram da operação. A previsão é a de que todos sejam ouvidos até sexta-feira próxima. No última sábado, os policiais e os militares chegaram ao Salgueiro quando havia um baile funk. A Polícia Civil e o CML alegaram que, nesta ocasião, houve resistência armada por parte de traficantes.

Durante a ação, foram apreendidos um fuzil, sete pistolas, cinco carregadores, munição, rádios, drogas e celulares.

Famílias de pelo menos quatro dos sete mortos negaram o envolvimento de seus parentes com o tráfico. Entre os que perderam a vida na operação estão um funcionário de uma peixaria, um estudante e dois motoristas do aplicativo Uber : Vitor Hugo Castro Carvalho, de 28 anos, e Marcelo da Silva Vaz, de 31.


Por Jornal Extra

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