Operação para capturar suspeitos de invadir Cidade Alta tem 16 presos


Pelo menos 16 pessoas foram presas nesta terça-feira durante a “Operação Invasão”, realizada pela Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) em diversos pontos das cidades de Nova Friburgo, na Região Serrana, e do Rio de Janeiro. De acordo com a Polícia Civil, os presos são suspeitos de articularem uma invasão à Cidade Alta, comunidade da Zona Norte do Rio.

Entre os presos está o traficante Wesley Henrique dos Anjos Santos, chefe do tráfico de drogas nas comunidades do Pica-pau, em Cordovil, e da comunidade Cinco Bocas, em Brás de Pina. Ambas ficam na Zona Norte do Rio de Janeiro. Ele é filho do traficante Carlos Henrique dos Santos Gravini, vulto Torá.

Ao todo, a ação tem o objetivo de cumprir 34 mandados de prisão preventiva e, de acordo com a corporação, “criminosos do do Morro do Tuiuti, tiveram fundamental papel na tentativa de retomada da Cidade Alta e passaram a ser os principais fornecedores de armas e drogas para as favelas de Nova Friburgo, inclusive implementando técnicas e táticas de guerra já utilizadas nas favelas cariocas”.

A polícia informou ainda que, após a investigação, foi possível identificar suspeitos que participavam das ações criminosas nas comunidades, mas ainda não tinham anotações criminais e se deslocavam livremente sem ser incomodados.

A operação contou com o apoio de 200 policiais civis de diversas delegacias do DGPE (Departamento Geral de Polícia Especializada) e os indiciados responderão pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico, porte ilegal de armas, organização criminosa, entre outros crimes, cujas penas somadas ultrapassam 30 anos de prisão.

O grupo investigado se articulou de maneira organizada a fim de invadir e retomar o controle do tráfico na Cidade Alta, cujo domínio territorial foi perdido para a facção TCP (terceiro comando puro).

O esquema
            
Rodinei de Menezes Andrade, conhecido como "Baratão", era o homem de confiança de Carlos Henrique dos Santos Gravini, conhecido como Rato ou Torrá e, com a prisão deste em 2016, passou a ser o gerente geral do tráfico na Cidade Alta.

Em razão da briga pelo poder, Baratão se aliou ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como Peixão, líder do tráfico em Parada de Lucas e Vigário Geral, e debandou para a organização criminosa conhecida como “TCP”, aplicando um golpe, expulsando os traficantes ligados ao Comando Vermelho.

Neste contexto, os traficantes expulsos da Cidade Alta, passaram a manter o domínio nas favelas CINCO BOCAS e PICA-PAU, ambas sob o comando de Wesley Henrique dos Anjos Santos, o WESLEY, passaram a empreender esforços para retomar a localidade.

Traficantes da Cidade Alta, pertencentes ao Comando Vermelho, buscaram refúgio nos complexos do Alemão e da Penha, locais de onde partiram, ao menos, três tentativas de retomada do controle da referida favela. Tais ações contaram com a ajuda de várias lideranças do tráfico da referida organização criminosa, fato que levou à identificação da ramificação atuante na comunidade do Tuiuti, com conexão na cidade de Nova Friburgo, no interior do Estado.

Maquetes desenhadas em programa de modelagem 3D CAD, específico de profissionais das áreas de arquitetura e engenharia, da região da Cidade Alta, foram encomendadas por traficantes do Comando Vermelho, a fim de planejarem, de forma definitiva, a retomada do controle da venda de drogas na região, o que, de fato, foi tentado por algumas vezes, conforme imagens captadas durante a investigação.

As investigações demonstraram, também, que o Comando Vermelho possui uma Caixinha, ou seja, espécie de contribuição patronal do crime, baseada na importância da localidade dominada, de cada núcleo (quadrilha que exerce o domínio em uma comunidade) para financiar os interesses da organização (pagamento dos advogados, pagamento dos líderes, sustento das famílias dos que estão presos, compra de armas que são socializadas entre todos os núcleos).

NÚCLEO NOVA FRIBURGO

Pastor passou a ser um dos principais fornecedores de armas e drogas (MATUTO) para as favelas de Nova Friburgo e tinha como contato o elemento Jefferson dos Santos Angelo, conhecido como Laka, o qual foi preso durante as investigações. Após essa prisão, Pastor assumiu a liderança das comunidades de Nova Friburgo e, além de fornecer as drogas para as localidades, passou a ter o domínio territorial da região, ao lado de Roberto Carvalho Kenup Júnior, o “Baú” e Livaldo José da Silva, conhecido como Coroa, ambos presos no Complexo de Bangu.

Pastor determinou o envio de 20 pistolas para a região, além de estar comprovada a aquisição de um fuzil (AK 47) que passou a reforçar sua quadrilha em FRIBURGO. Ele foi o responsável pelo incremento da periculosidade na região, uma vez que as técnicas e táticas de guerra já utilizadas nas favelas Cariocas, passaram a ser implementadas na região Serrana fluminense, aumentando sobremaneira o risco para os policiais e para toda a população da cidade.

Também foi identificada a traficante Regiani Mendes Alves, a qual é pessoa de confiança de Pastor e o ajuda na administração dos pontos de venda de drogas em Nova Friburgo.

Durante um ano de investigação, foi possível identificar 34 traficantes, os quais tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça.

Por Polícia Civil

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