Sete pessoas são mortas no Morro do Salgueiro, em São Gonçalo

Um tiroteio deixou pelo menos sete mortos no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, na madrugada deste sábado.

Segundo as primeiras informações, a ação teria sido realizada pela Coordenadoria de Recursos Especiais (Core).

Mas a Polícia Civil garantiu que a participação da Core foi apenas para garantir o trabalho da Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí na realização da perícia. Disse ainda que os sete corpos localizados na comunidade foram encaminhados para identificação no Instituto Médico Legal (IML) da região.

Segundo relatos nas redes sociais, as vítimas estavam em um baile funk na localidade da Marinha.

Parentes dos mortos no Complexo do Salgueiro relataram que os policiais fizeram uma chacina na região. Eles afirmam que a operação foi realizada por policiais encapuzados que chegaram em dois blindados da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE). A Polícia Civil ainda não confirma se houve operação na comunidade.

Encarregada geral de uma empresa de reciclagem em Itaboraí, Joelma Couto Melanes, de 38 anos, mãe de um dos mortos, Márcio Melanes Sabino, de 21 anos, denunciou ter sido ameaçada de morte ao tentar se aproximar do corpo do filho na localidade conhecida como Conjunto da Marinha, no Salgueiro. Ela admitiu que o filho, depois de trabalhar com ela na empresa de reciclagem, passou a ter envolvimento com o tráfico de drogas na região.

— Quando soube que alguma coisa tinha acontecido no Salgueiro corri com meu marido de carro para lá e, quando fui me aproximar do corpo do meu filho, um policial disse que, se nós não saíssemos de lá, ele ia dar um tiro na nossa cara. Disse para nós sairmos de perto porque ia haver perícia. Eles estavam xingando todo mundo que passava — relatou.

Segundo ela e o marido e pai de Márcio, o técnico da Enel Cláudio Lopes, de 50 anos, que a acompanhava, não houve perícia alguma.

— Os corpos foram colocados dentro de um blindado usado na operação da Core e dentro de um rabecão que foi chamado às pressas e escoltado pelos policiais até o local onde os corpos estavam. Nós seguimos de carro o rabecão onde o corpo do nosso filho foi colocado e chegamos juntos no IML (em Tribobó). Mas disseram que o corpo não tinha vindo para cá. Fizeram a gente ir para outros lugares em vão.

Os parentes disseram que quando o blindado chegou houve muita correria e que algumas pessoas foram atingidas por policiais, que estavam no morro conhecido como Pé da Serra, disparando com armas de mira laser.

Ao lado do corpo de Márcio, havia outros dois corpos. Segunda família, o corpo de um rapaz foi colocado num blindado da polícia e eles não viram o veículo chegar ao Instituto Médico Legal (IML).

Até o momento, nenhum dos sete corpos levados para o IML foi oficialmente identificado. Alguns parentes de mortos aguardam o chamado para fazer o reconhecimento. Um perito do instituto que chegou para o plantão disse que foi orientado pelo chefe a relatar que os corpos foram levados para o órgão sem guias de remoção. Isso significa que não houve perícia no local.

A mãe de Márcio Melanes se mudou do Salgueiro para Itaboraí, mas o filho resolveu ficar. Ele deixa uma filha de 3 anos. Segundo a família, no momento em que foi morto, ele não estava armado. Os outros corpos estavam na localidade conhecida como Palmeiras, no Salgueiro, perto do Conjunto da Marinha.




Por Jornal Extra

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